Eu não estava apaixonado. Muito menos errado em minhas convicções. Eu não costumava ir a festas (eu odiava festas, aliás), mas depois de anos sendo chamado de anti-social resolvi ir até uma. Então, depois de meia hora vendo toda aquela gente dançar ao som de Primal Scream e outras bandas dançantes, eu estava entediado. Não entendia como havia gente que podia gostar de ficar se esfregando, transpirando, mas era assim que as coisas rolavam, e era assim que eu a conheci. Coisa mais clichê que isso não tinha, parecia coisa de filme americano, mas eu via tudo em câmera lenta (eu devia estar muito bêbado). Mas a caretice acaba por aqui, e eu só pude enxergá-la melhor quando ela se aproximou. Cabelo vermelho, camiseta amarela, Jesus, como ela era linda. O que ela viu em mim, não sei. Aliás, ela não deve ter visto nada, porque ela não veio diretamente até mim, ela foi é pegar uma bebida. E eu estava muito louco (é, eu assumo que estava bêbado) e sabe-se lá porque puxei papo. Talvez eu tenha achado que a camiseta dela era do Wolverine, não me lembro bem. O nosso diálogo foi mais ou menos assim:
-Ahm,oi!
-Ahm,olá. Quem é você?
-Apenas o cara encostado no bar que viu você chegando.
-Isso explica muita coisa.
-(Risos aqui) Bom, não sei se foi à maneira correta de puxar um papo, mas que eu me lembre começava assim
-Faz quanto tempo que você não conhece alguém pra apenas se lembrar que uma conversa começa assim?
-Um bom tempo.
-Então devo ser a moça com a honra de mostrar ao cara encostado no bar que me viu chegando como se conversa.
-(Mais risos) Seria uma honra tão grande assim?Creio que não
-E mostrar a alguém como é a civilização hoje em dia não seria uma honra?
-Depende do ponto de vista
Nós rimos. Então ela me puxou pra dançar. Estava tocando Crystal, do New Order, e eu tava dançando como Ian Curtis em cima do palco, e ela sorria mais ainda. Incrivelmente eu estava gostando daquilo (aliás,se você fosse eu,também gostaria). E quando nós percebemos a festa já tinha acabado e nós estávamos sentados na calçada. Ela me olhou e lembrou que a gente devia ir embora. Então levantamos e eu fui indo com ela, sem noção do que estava fazendo, até que ela desmaiou na minha frente, e eu fiquei olhando pra ela sem ação nenhuma. Mais ou menos uns 2 minutos depois eu decidi fazer algo. Peguei-a no colo e a levei até minha casa. Deitei ela na minha cama, ajeitei tudo e fui pro sofá (era o máximo que eu podia fazer). Em sonho, eu me lembrei de tudo aquilo que eu havia passado com ela, por mais que fosse tão pouco, vi a gente tendo uma vida juntos entre outras coisas, e logo a manhã chegou. O irritante despertador não parava de apitar. Então eu levantei, fui até o meu quarto e surpresa, ela não estava lá. Procurei por todos os cantos da casa, lá fora no quintal, mas nada. Voltei até a cozinha, com a cabeça quente. Aonde raios ela foi? Resolvi fazer um café. Encostei na geladeira, e ali estava um bilhete que dizia: ‘’Está tudo bem comigo, eu apenas fui embora. E para não dizer que você levou uma desconhecida pra casa, eu me chamo Stella. Agora me ache, cara que me viu chegando no bar’’. Procurei por ela por semanas, mas não a achei em canto algum. Até comecei a ir pra mais festas pra ver se a achava, mas nada. Agora também eu vou começar a perguntar tudo sobre a pessoa antes de começar algo.
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